Terça-feira, 29 de novembro de 2011 A respiração lisboeta “Viver não é necessário; necessário é criar”. Fernando Pessoa, “Navegar é preciso” QUANDO VEJO CERTOS MAPAS da Península Ibérica. Portugal se me figura um rosto apontando como com saudade em direção ao Atlântico. Me parece difícil não associar seu “nariz” com o do retrato imaginário que tenho de Dante Alighieri. As linhas pontilhadas da divisão política dão lugar a loureiros e fazem da Espanha a touca do florentino. Quiçá por isso Portugal me é tão poético; quiçá porque me parece, vejo aí o poeta. Me fascina que Lisboa se encontre nas fossas nasais e que o Tejo seja o ar por onde a vida portuguesa flui. O fado é a respiração lisboeta. Só uns olhos habituados a contemplar os confins do horizonte poderiam entoá-lo. Só as mãos que acariciaram a viola e manejaram o astrolábio puderam traçar os planos da cidade à margem do Tejo. Talvez haja em Lisboa um finis rationis como outrora na Galícia se situou um fin...