Um teste 

Caleuche - o Buque de Arte


                     Quem já foi testado nas suas habilidades, no campo acadêmico ou profissional, conhece bem a sensação da espera do resultado, da dúvida sobre as escolhas na escrita ou na entrevista e o quanto essa espera pode ser angustiante. Pois bem, no post intitulado Freelancer, descrevo a minha experiência como freela de uma empresa de tradução. O que não mencionei anteriormente é que demoraram cerca de seis meses para dar o resultado do teste, o que aparentemente parece um descaso, para eles é justificável, pois só notificam o tradutor quando necessitam do seu trabalho. De qualquer modo, a experiência serviu e decidi publicar um dos dois textos disponibilizados no teste para tradução, porque é o mais interessante por abordar alguns aspectos da cultura chilena e tive bastante trabalho na pesquisa dos elementos culturais para essa tradução. Disponibilizo ainda,após a leitura em português, um link que direciona para o texto original (e pasmem, descobri que o texto havia sido colado da internet), mas vamos à tradução:


O Caleuche


A lenda do Caleuche está relacionada com muitos aspectos da história e das crenças do Arquipélago de Chiloé.

No Libro de la mitologia de Chiloé (Livro da mitologia de Chiloé), coletânea de histórias, lendas e crenças mágicas recolhidas da tradição oral e compiladas por Renato Cárdenas, lê-se:

“O Caleuche é o Marino (Marinho), o Buque de arte (Navio de arte), o Buque de Fuego (Navio de Fogo), o Barcoiche: esses são os nomes tabueicos dados ao Caleuche, aquele navio fantástico que leva música e luz pelos inúmeros canais de Chiloé. Em certas condições, como nos dias de neblina, é possível vê-lo e senti-lo: barulhos de correntes, de festa, música, e uma magistral figura de navio escola o fazem inconfundível. Para alguns, é uma visão incorpórea, podendo atravessar outra embarcação; outros afirmam ter estado até em festas em seu interior, mesmo que eles [os tripulantes] prefiram fazer festas em terra, onde haja mulheres, e, para isso, façam conluios com comerciantes que tenham muitas filhas, abastecendo-os, então, o Caleuche de mercadorias como retribuição; é assim que os moradores do lugar explicam o rápido surgimento de alguns comerciantes que prosperam rapidamente sem que ninguém os tenha visto comprar nada. Protegidos pelo Caleuche,geralmente têm galinhas pretas e botes pichados com cordas de esparto.

O Caleuche pode desaparecer e adotar as formas que preferir para não ser visto, e os marinheiros podem transformar-se em leões-marinhos ou cahueles (golfinhos). Outra de suas qualidades é a extraordinária velocidade que atinge. Para observá-lo sem ser visto, é preciso pôr um torrão com grama na boca, porque o primeiro que os seus tripulantes sentem é o hálito. As pessoas também podem se esconder atrás de algumas árvores, como a maqui (Aristotelia chilensis) e a tique (Aextoxicon punctatum), para não serem levadas pelo Caleuche. Todo o mundo tem medo de ser levado pelo Buque de Arte, então nunca é demais tomar precauções.” 




(Trad Giane Oliveira)








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